La Forja del Campeon II 10/05/2026 CARD

Continuamos com MUCHA LUCHA! Aqui teremos a segunda parte do evento especial que consagrará os campeões inaugurais da empresa! "LA FORJA DEL CAMPEÓN"! Confira o Card no "MAIS INFORMAÇÕES"!

Local:
Auditorio GNP Seguros
Heroica Puebla de Zaragoza - Puebla - México

Poster:

Theme-Song:
"In the Fire" by Def Rebel

Card:

Lucha Individual
La Forja del Campeón - Semifinal #1
Mortis VS Suicidio
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*

Lucha Individual
La Forja del Campeón - Semifinal #2
Bandido VS La Sombra
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*

Cuadrangular
Campeonato Latinoamericano
Havoc VS El Hijo del Santo VS Samuray del Sol VS Sin Piedad
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*

Lucha de Parejas
Campeonato de Parejas
Los Ingobernables VS La Trinidad Sin Rostro
(El Desperado & Penta VS Sin Esperanza & Sin Alma)
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador ou 4 por Dupla*

-EVENTO PRINCIPAL-
Lucha de Escaleras
La Forja del Campeón - FINAL
Campeonato Mundial Absoluto
Vencedor de la Semifinal #1 VS Vencedor de la Semifinal #2
???? VS ????
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*
(Além do comentário de até 2 partes feito para as Semifinais, todos os semifinalistas poderão fazer mais um comentário, de até 2 partes, referente a essa luta da Final do torneio para coroar o primeiro Campeão Mundial Absoluto)

PRAZO: SÁBADO (02/05/2026) 23h59 (horário de Brasília)

  Podem Promar antes do fim do prazo! Os comentários serão ocultados e só poderão ser vistos após o prazo, então seu adversário não ficará em vantagem caso você Prome antes! Você não corre o risco de perder o Prazo dos comentários e ainda me ajuda a poder já adiantar com o show!

Divirtam-se!

¡A LUCHAR!

17 Comments:

JYWAR disse...

[O som distante da arena atravessava as paredes como um eco constante, gritos, impacto, LUCHA acontecendo lá fora. Mas ali dentro… silêncio controlado. A câmera já começa ligada, meio torta, como se tivesse sido posicionada com pressa. La Sombra está sentado num banco de madeira, levemente inclinado pra frente, cotovelos apoiados nos joelhos, mãos entrelaçadas. Cabeça baixa. Respirando fundo. Um pano jogado ao lado, parcialmente manchado.]

Você fala bonito, Bandido. Fala como quem já carregou o mundo nas costas e sobreviveu a cada tentativa de derrubá-lo. Mas eu não vim aqui pra aplaudir o discurso, my hermano. Eu vim pra te lembrar de que o orgullo, a tradición, isso não significa nada quando você tem a sombra diante de sí. Você diz que é o eixo, o nome que vende, o cara que todo mundo quer derrubar primeiro. Que lindo. Mas eixo que gira demais acaba tonto, carnal. E eu vejo você girando, girando, falando sem parar pra tentar convencer até a si mesmo que é capaz de aguentar o peso de um cinturão como aquele nos ombros. Eu já vi isso antes. Homens maiores que você chegaram falando a mesma coisa, com o peito estufado e o olhar de quem já ganhou antes do sino tocar. Hoje eu uso as máscaras deles como tapete em casa.

[Ele se levanta devagar. O banco range. Ele caminha até um espelho, parando bem perto, encarando o próprio reflexo dividido pelas rachaduras. Inclina levemente a cabeça, como se estivesse se analisando, ou julgando.]

Você fala de quedas absorvidas, de noites saindo pior do que entrou e voltando no dia seguinte. Eu respeito isso. Mas não confunda resistência com invencibilidade. Porque pra mim isso nunca foi discurso bonito pra impressionar plateia, isso sempre foi rotina. Enquanto você transforma cicatriz em história pra contar, a grande narrativa do Bandido, eu transformei dor em método, em identidade, em combustible. Você quer romantizarresultados. Você quer ser lembrado pelas batalhas que sobreviveu? Eu quero ser temido pelas guerras que eu ainda vou vencer. Existe uma diferença enorme entre nós dois: você se orgulha de resistir… eu me orgulho de dominar. E quando a gente estiver frente a frente, não vai ser sobre quem caiu mais vezes, vai ser sobre quem levanta e impõe o próprio ritmo, quem transforma o ringue no próprio território… e aí, meu amigo, você vai perceber tarde demais que essa “realidade” que você tanto prega… é o meu lar.

[La Sombra se aproxima de um armário aberto. Dentro, uma máscara antiga jogada. Ele pega, observa por alguns segundos, gira entre os dedos… e então aperta com força até deformar o tecido. Solta. A máscara cai no chão.]

Respeto, tradición, isso tudo é muito lindo na nossa cultura, no papel. As coisas não deveriam funcionar assim, e eu estou aqui pra ser o patinho feio… porque alguém precisa existir fora dessa moldura perfeita que vocês insistem em proteger. Alguém precisa mostrar que nem toda história nasce pra ser celebrada, que nem todo caminho foi feito pra seguir os passos de quem veio antes. Existe um lado da luta que não cabe em homenagem, que não se encaixa em reverência… um lado cru, incômodo, que não pede licença pra existir.

JYWAR disse...

[Ele começa a andar em círculos curtos, energia contida, como se estivesse tentando não explodir.]

O que eu faço não é sobre rejeição, é sobre consciência. É entender que a beleza que vendem é só uma versão confortável da realidade. É olhar pra tradição e enxergar as rachaduras que ninguém quer admitir. É saber que o respeito, muitas vezes, é só um acordo silencioso pra manter tudo exatamente como está. E quando isso deixa de fazer sentido… quando isso não representa mais o que realmente acontece dentro do ringue… alguém precisa ter coragem de quebrar o ciclo.

[Ele puxa uma cadeira com o pé e senta de lado, mas não relaxa. Corpo inclinado pra frente, mãos apoiadas nas coxas, dedos apertando o tecido.]

A tradição, chico… ela corrói. Não de fora pra dentro, como gostam de dizer… ela corrói por dentro, em silêncio, como ferrugem em metal velho que ainda insiste em parecer inteiro. Vai tirando o peso das coisas, vai esvaziando o significado, até que tudo o que sobra é uma casca bonita, repetida tantas vezes que ninguém mais questiona.

[Ele se levanta de novo antes mesmo de terminar a frase, inquieto. Vai até a parede e encosta a testa nela por um segundo. Respira fundo.]

Chamam isso de respeito, mas muitas vezes é só hábito. Chamam isso de legado, mas é só repetição. E quanto mais se insiste nisso, mais se perde o que realmente importa… porque a tradição não evolui sozinha, ela se acomoda. Ela cria conforto onde deveria existir tensão, cria regras onde deveria existir instinto.

Você construiu uma imagem que parece inabalável, Bandido. Mas ela vive de confirmação. Cada gesto, cada move, cada olhar… tudo calculado pra manter essa ideia de perigo viva. Só que ideia não sangra. Ideia não aguenta quando a coisa fica real. E no fundo, bem lá no fundo, existe essa dúvida que você não consegue apagar se tudo isso some por um segundo… o que realmente sobra? Não é sobre o que você mostra. É sobre o que você evita. TRANQUILO. E quanto mais você tenta sustentar essa versão de si mesmo, mais evidente fica que ela não se sustenta sozinha. Porque confiança de verdade não precisa ser provada o tempo todo… e você, assim como toda a Lucha Libre, está preso nesse ciclo, tentando convencer todo mundo, inclusive você mesmo.


~ ’’El Centinela del Espacio’’
~ ‘’Cien Almas’’
~ La Sombra

JYWAR disse...

(Caso La Sombra vença Bandido e avance para a final do torneio.)

[A porta de emergência se abre com força, La Sombra entra praticamente se arrastando. O corpo pesado, respiração irregular. O peito sobe e desce rápido demais. Um dos braços abraça o próprio abdômen, protegendo as costelas. Sangue seco no canto da máscara, outro ainda fresco escorrendo no pescoço. A cada passo, uma leve mancada.]


‘’Vocês adoram essa palavra… “provação”. Ela soa limpa, organizada, quase poética. Como se cada queda tivesse um motivo, como se cada noite ruim fosse uma etapa necessária pra algo maior. Como se existisse um roteiro invisível garantindo que tudo isso vai valer a pena no final. Mas no fim das contas, o que é uma provação além de um amontoado de falsas esperanças bem embaladas? É a forma mais conveniente de aceitar o que não tem explicação, de transformar dor em narrativa, de olhar pro caos e fingir que existe lógica. Vocês chamam de crescimento, de superação, de jornada… mas muitas vezes não passa de sobrevivência. Pura, simples, sem mérito nenhum. Só continuar porque não existe outra opção.’’

‘’Eu aprendi isso cedo demais. Tinha um cara… um amigo… alguém que fazia tudo certo dentro desse mundo que vocês tanto romantizam. Ele respeitava cada detalhe, carregava esse tal “legado” como se fosse uma responsabilidade real, acreditava que fazer as coisas do jeito certo garantia alguma coisa no final. E não garantiu nada. Uma noite errada, um lugar errado, e tudo acabou sem aviso. Sem lição, sem tempo pra entender, sem chance de reagir. Só acabou. E o que veio depois foi pior do que o silêncio… vieram as explicações. Gente tentando encaixar aquilo em algum tipo de sentido, dizendo que era parte do caminho, que tinha um motivo maior, que ele passou pela provação dele. Como se isso resolvesse alguma coisa. Como se dar nome pra tragédia fosse o mesmo que entender ela.’’

[Ele puxa uma fita esquecida ao lado, começa a enrolar nos dedos com movimentos lentos, firmes, apertando mais do que deveria enquanto continua, a respiração ainda pesada.]

‘’E é aí que tudo isso perde valor pra mim. Tradição, cultura, provação… essas palavras não seguram ninguém quando a realidade decide passar por cima. Elas não impedem o que vai acontecer, não protegem, não salvam. Elas só deixam tudo mais fácil de aceitar depois que já aconteceu. São histórias que vocês contam pra si mesmos pra manter a ilusão de controle, pra fingir que existe justiça onde só existe consequência. E eu não consigo respeitar isso. Não depois de ver como as coisas realmente funcionam quando ninguém está olhando.’’

JYWAR disse...

[Ele para por um segundo, fecha o punho já envolto na fita, testa a firmeza, e o gesto arranca uma fisgada nas costelas que é visível sua dor por debaixo da máscara. Ele para por um instante antes de voltar ao normal.]

‘’Então não, isso aqui não é sobre honor, não é sobre carregar o peso de quem veio antes, não é sobre provar nada pra ninguém. Isso aqui é sobre aceitar o que é, sem enfeitar, sem justificar, sem transformar em novela pra parecer mais bonito. Porque no final, quando tudo quebra, quando tudo falha, o que sobra não é a história que contaram… é a realidade crua, do jeito que ela sempre foi. E é dentro disso que eu existo, sem precisar fingir que tem algo maior guiando cada passo, porque eu já vi o suficiente pra saber que não tem.’’

[Ele finalmente termina de ajustar as ataduras, puxa firme uma última vez e solta as mãos devagar, abrindo e fechando os dedos pra testar, ignorando a dor que ainda insiste. Ele se levanta com dificuldade, usando o banco como apoio, o corpo ainda curvado por alguns segundos até conseguir se endireitar o suficiente pra ficar de pé.]

‘’Bandido…’’
‘’...não era sobre você.’’

‘’...nunca foi sobre o que vocês acham que isso representa, aquilo lá fora foi só mais uma prova de que isso aqui não quebra, não hoje, não agora, e não vai quebrar na final, não importa quem esteja lá, Mortis, Suicidio… tanto faz, nome não entra no ringue, nome não sente isso, nome não levanta quando o corpo pede pra ficar no chão, e eu levanto, sempre levanto, porque isso aqui nunca foi sobre tradição, nunca foi sobre respeito, nunca foi sobre carregar história bonita nas costas como se isso fosse te salvar quando a dor chega de verdade, porque ela chega, ela sempre chega, e quando chega não tem legado que te sustente, não tem honra que te mantenha de pé, não tem nada além do que você é naquele momento, e eu sei exatamente o que eu sou, eu sou o cara que continua quando tudo para, eu sou o cara que anda mesmo quando não devia, que respira mesmo quando falta ar, que luta mesmo quando o corpo já desistiu, e é por isso que eu vou vencer esse torneio, não porque eu represento alguma coisa, não porque eu carrego o nome de ninguém, mas porque eu não dependo de nada disso pra existir lá dentro, porque enquanto vocês se escondem atrás de tradição, eu entro lá e faço o que precisa ser feito, e quando acabar, quando tudo terminar, não vai ser o mais respeitado, não vai ser o mais honrado, não vai ser o mais lembrado… vai ser o único que ainda estiver de pé, e esse… já sou eu.’’


~ ’’El Centinela del Espacio’’
~ ‘’Cien Almas’’
~ La Sombra

Matheus Pinoti disse...

(O vídeo começa em um vestiário mal iluminado. Ao fundo, La Sombra está sentado, com um sorriso arrogante, polindo as botas após garantir sua vaga nas semifinais. El Desperado está encostado na parede, brincando casualmente com uma cadeira de aço amassada. A câmera é subitamente agarrada. A máscara de caveira de Penta enche a tela, os olhos transbordando loucura. Ele se afasta e faz o sinal do "Zero" com a mão direita.)

¡Escúchenme bien, perros de la Mucha Lucha!

Semana passada, no primeiro show desta espelunca, todo mundo esperava um conto de fadas. Os fãs, os engravatados, os idiotas nos bastidores... todos queriam ver o herói mascarado brilhar no evento principal. Sin Piedad quase acreditou nisso, não é? Ele achou que o La Mistica ia salvar a noite. ¡Pendejos! Vocês se esqueceram que não existe justiça quando Los Ingobernables estão no prédio!

Nós mostramos a verdadeira face da Lucha Libre. Desperado puxou aquele árbitro para fora como se ele fosse um lixo. E quando a "La Trinidad Sin Rostro" tentou brincar de super-heróis, o que aconteceu? Eu mostrei ao Sin Alma o gosto do aço das minhas cadeiradas nas costas! Desperado esmagou a cara de Sin Esperanza no poste do ringue! E o nosso hermano La Sombra finalizou o trabalho com o Sombra Driver. Nós fechamos o primeiro show da história desta empresa de pé, no centro do ringue, enquanto a sua "Trindade" engasgava no próprio sangue! Nós já tomamos o evento principal. Nós já mandamos o recado. Mucha Lucha nos pertence.

E agora? Show número dois. A gerência achou que seria poético colocar a basura que sobrou da Trindade contra mim e o Desperado pelo Campeonato de Parejas.

(Penta solta uma risada rouca e seca, apontando para a câmera)

"Sin Esperanza". "Sin Alma". ¡Qué nombres tan ridículos, cabrones! Sin Alma, depois da cadeirada que eu deixei marcada nas suas costas semana passada, a única coisa que você realmente não tem é uma coluna intacta! Vocês acham que vão subir naquele ringue hoje para vingar o Sin Piedad? Vocês acham que vão nos impedir de colocar o ouro na cintura e dominar o México inteiro? ¡Me vale madre a história de vocês!

Vocês se escondem atrás do nome "Trindade Sem Rosto", mas eu não preciso ver o rosto de um homem para escutar os ossos dele se partindo! A Lucha Libre não é um teatrinho de assombrações. É carne, suor, dor real e ligamentos sendo rompidos. Hoje, Desperado e eu vamos terminar o massacre que começamos no evento principal passado. Nós vamos arrastar os seus corpos sem rosto pelo tablado. E quando a força de vocês acabar... eu vou agarrar o seu braço, Sin Esperanza. Eu vou agarrar o seu braço, Sin Alma. E eu vou dobrá-los para trás até que a carreira de vocês acabe antes mesmo de começar!

Preparem-se, Mucha Lucha. Esta noite nós não vamos apenas ganhar o Campeonato de Parejas. Nós vamos cometer um homicídio em rede nacional! Porque quando Los Ingobernables entram no ringue...

(Ele ergue a mão engluvada, cerrando os dentes e gritando direto para a lente da câmera)

¡HAY CERO MIEDO!

Uno De Los Ingobernables, Penta

Tʜᴇ Bʟᴀᴄᴋ Sᴡᴀɴ § Cᴀʀᴀ Nᴏɪʀ disse...

O ambiente está sombrio e a câmera se move lentamente, capturando a figura de El Desperado em um lugar isolado e silencioso. Ele está em pé, a luz fraca destacando sua máscara e o olhar penetrante. Ele fica parado por alguns segundos, encarando a câmera, como se estivesse refletindo sobre algo profundo. Quando ele começa a falar, sua voz é baixa, mas cheia de autoridade.

"Eu sei que todos estavam esperando. Sabiam que o inferno tem um novo rei. Eles só não sabiam quando ele chegaria. Pois aqui estou, e não vim para fazer amigos. Não vim para pedir permissão. Vim para trazer a tempestade. Vim para trazer a destruição que esse lugar tanto precisa."

Ele faz uma pausa, se aproximando da câmera com os olhos fixos. Seu olhar se torna cada vez mais penetrante.

"Esta é a minha primeira vez neste ringue… mas não será a última. E o que você precisa entender, o que todos precisam entender, é que meu nome, El Desperado, vai ecoar por essas paredes, vai marcar esse lugar. Porque quando essa campainha soar, não vai ser só mais uma luta. Vai ser o fim de tudo o que vocês conhecem. E o começo da minha ascensão."

Ele se vira de costas, caminhar firme e determinado, como se estivesse refletindo sobre o que acabou de dizer. Quando ele se vira novamente, seu olhar já está carregado de fúria.

"Hoje… a primeira luta… a primeira lição. Los Ingobernables não vieram aqui para ser mais um time qualquer. Não viemos para ‘participar’. Viemos para tomar o que é nosso. E essa noite, o Campeonato de Duplas vai ser nosso. E ninguém, ninguém vai impedir isso."

Ele dá alguns passos para o lado e começa a rir, mas não é um riso de diversão. É um riso frio, calculista.

"Mas eu sei o que estão pensando. ‘Como pode ser? El Desperado e Penta juntos?’ Como se fosse uma piada. Mas quem aqui entende o que é ser Los Ingobernables, sabe que o que mais importa é o fim. Não importa como começamos. O que importa é como terminamos. E quando a última campainha soar, seremos nós no topo. Nuevos campeones de parejas."

Desperado agora se aproxima da câmera novamente, a intensidade aumenta, sua presença já é ameaçadora. Ele começa a falar mais devagar, como se estivesse sentindo cada palavra.

"Hoje, tudo muda. La Trinidad Sin Rostro… vocês acharam que estavam prontos, não é? ‘Sin Esperanza, Sin Alma’, bonito nome, trágico destino. Vocês acham que são diferentes de todos os outros. Acham que podem se esconder atrás dessa máscara, atrás dessa ideia de um nome sem rosto. Mas a verdade, meus amigos, é que um rosto escondido não significa nada. O que importa é o que se esconde por trás da máscara."

Ele solta um sorriso ameaçador.

"Sin Esperanza? Sin Alma? Isso é tudo o que vocês têm? Por favor… Aqui, em Los Ingobernables, nós não escondemos nossa dor. Nós usamos a dor. Nós usamos a violência. E a violência, como todo mundo sabe, é o nosso idioma preferido."

Ele dá mais alguns passos, começa a gesticular com as mãos, demonstrando sua confiança.

"Vocês podem tentar correr, se esconder atrás da máscara. Mas o fogo não se esconde, se espalha. Quando nós entramos no ringue, nós não estamos aqui para brincar. Estamos aqui para destruir. E quando Los Ingobernables pegarem o fogo, não há como escapar. Vamos queimar tudo o que encontrar pela frente."

Ele para, olha diretamente para a câmera com um olhar feroz, os músculos tensos.

"Sin Esperanza… Sin Alma… Quem vai sentir a verdadeira falta de alma aqui será vocês. Quando as luzes se apagarem e a cortina descer, será nosso nome sendo ecoado por toda a arena."

El Desperado se vira, suas costas agora para a câmera. Ele parece refletir por um momento, depois vira de novo e fala com um tom sério.

"Mas eu sei que não podemos subestimar o que vem pela frente. Penta e eu não somos iguais. Somos pior. Penta já passou pela guerra. Eu sou a morte. Juntos, somos a sentença final para todos aqueles que se colocarem em nosso caminho. Nós viemos para destruir, para dominar, para governar."

Tʜᴇ Bʟᴀᴄᴋ Sᴡᴀɴ § Cᴀʀᴀ Nᴏɪʀ disse...

Desperado avança, dando um passo firme. A cada palavra, ele se torna mais imponente.

"E vocês sabem disso. Eu sei que sabem. Não importa quantos truques vocês tentem. Não importa o quanto se escondam. Quando as luzes se apagarem e a campainha soar, vocês vão saber o que é a verdadeira força. Porque ninguém vai sobreviver a isso."

Ele faz uma pausa, encarando a câmera com um olhar gélido.

"Penta e eu, nós temos o que muitos não têm. O legado. A experiência. E a vontade de vencer. E ao contrário de muitos, nós sabemos que a verdadeira luta começa depois do que muitos chamam de ‘vitória’. A vitória nunca é o fim. O fim é quando você sente a última batida de sua alma."

Desperado olha ao redor, como se sentisse o peso da luta que está por vir.

"E hoje… o fim vai começar. Los Ingobernables vão dominar Mucha Lucha. E esse é o nosso aviso. Hoje começamos nossa marcha. E o resto vai se arrepender de ter nos desafiado."

Com um sorriso confiante e um olhar sombrio, ele diz a última frase.

"La primera forja. Despegando... hacia la gloria."

Los Ingobernables
El Desperado

Your Death disse...

O som de correntes ecoa em um lugar desconhecido, úmido, escuro… como se fosse um santuário esquecido pelo tempo. A luz é fraca, esverdeada, revelando máscaras penduradas nas paredes, cada uma carregando um passado… uma identidade… uma alma. Mortis está ali, de pé, imóvel, passando lentamente a mão sobre uma delas antes de falar, sua voz baixa, fria, quase sussurrada, mas carregada de algo inevitável.

“Eu vi o que fizeram com você… vi o momento em que colocaram essa máscara no seu rosto como se fosse um presente, como se fosse uma honra, como se fosse um destino maior do que você poderia carregar sozinho. Palavras bonitas… tradição… legado… cultura… tudo isso pra te fazer acreditar que essa máscara te define, que ela te dá propósito. Mas o que você chama de legado… eu chamo de ilusão. Porque enquanto você acredita que está carregando algo… você nunca percebeu que está sendo consumido por isso.”

Mortis pega uma máscara pendurada e a observa por alguns segundos antes de continuar.

“Na lucha libre, dizem que a máscara é a alma… que ela representa tudo aquilo que você é, tudo aquilo que você foi… e tudo aquilo que você pode se tornar. Mas eu… eu não respeito almas. Eu me alimento delas. Eu não luto por um pedaço de metal, não luto por um cinturão vazio que homens chamam de poder… eu luto para destruir, para apagar, para arrancar de cada um que cruza o meu caminho aquilo que realmente importa… sua identidade, seus sonhos, seu legado.”

Ele lentamente aperta a máscara em suas mãos.

“E você… ‘Suicidio’… que nome interessante. Porque no fim, não existe ironia maior do que essa. Você acha que recebeu esse nome como símbolo de coragem… como alguém disposto a sacrificar tudo… mas lutar contra mim não é sacrifício… não é bravura… é escolha. E você já fez a sua no momento em que decidiu entrar no mesmo torneio que eu. Você não herdou um destino… você assinou sua própria sentença.”

Mortis solta a máscara, deixando ela cair no chão com um som seco que ecoa pelo ambiente.

“Você fala de honra… de carregar algo maior que você… de levar um legado adiante… mas quando o seu corpo não responder mais, quando o ar faltar, quando a dor consumir cada parte do que você acredita ser força… não vai ser tradição que vai te salvar, não vai ser o nome que te deram, não vai ser o homem que te treinou. Vai ser só você… e eu. E eu não estou aqui pra te vencer… estou aqui pra te apagar.”

Ele caminha lentamente pelo local, revelando dezenas de máscaras ao redor.

“A sua máscara… essa alma que você protege… vai se tornar apenas mais uma entre tantas. Um troféu vazio. Um lembrete silencioso de que você existiu um dia… e falhou. Porque quando eu arrancar isso de você, não vai sobrar história, não vai sobrar nome, não vai sobrar legado. Você se chama Suicidio… mas nunca entendeu o verdadeiro significado disso. Isso não é um nome… é um destino. E enfrentar Mortis… não é coragem… é execução.”

Mortis para, olhando diretamente para a câmera pela primeira vez.

“Você não está carregando um legado… você está enterrando ele com as próprias mãos. E quando tudo acabar… quando sua identidade desaparecer, quando sua alma se tornar apenas mais uma lembrança nesse lugar… você finalmente vai entender.”

A voz dele fica ainda mais baixa, quase um sussurro final.
“Que esse… sempre foi o seu fim.”

Uma pausa.

“Fin de Los Días… começa com você.”

Mortis
Ceifeiro de Las Almas

Your Death disse...

O cenário não é um ringue… é um corredor estreito, mal iluminado, com o som metálico de uma escada sendo arrastada lentamente pelo chão. A câmera acompanha… até parar. Mortis está ali, cercado por sombras, a escada apoiada ao lado como se fosse mais uma ferramenta… não de vitória, mas de execução. Ele não se apressa. Ele sabe que, se você chegou até aqui… já está perto demais.

“Bandido… eu ouvi cada palavra sua. Esse discurso de repetição, de ser o centro, de ser o alvo… de carregar o peso de ser aquele que todos querem derrubar. Você fala como alguém que já viveu tudo… como alguém que já viu todos os caminhos possíveis. Mas existe uma coisa que você nunca enfrentou… e não é um adversário… é um fim. Porque homens como você não temem a queda… vocês temem deixar de existir. E é exatamente isso que eu trago.”

Ele passa a mão pela escada, como se sentisse o frio do metal.

“Você se chama de ‘Most Wanted’… o mais procurado… aquele que todos querem alcançar, aquele que carrega o topo nas costas. Mas eu não estou te procurando, Bandido… eu não estou correndo atrás de você… eu estou esperando. Porque não importa quantos países você atravessou, quantas arenas você lotou, quantas vezes você foi o eixo de tudo… toda estrada termina no mesmo lugar. E essa… termina comigo.”

Mortis levanta lentamente o olhar.

“Você fala que não é passageiro… que não é só mais um nome… que foi moldado na dor, na pressão, na repetição… mas isso só significa que você demorou mais pra chegar até aqui. Você resistiu… você suportou… você sobreviveu. E é exatamente por isso que você acredita que pode subir essa escada… que pode tocar naquele cinturão como se ele fosse a prova final de tudo que você construiu. Um pedaço de metal… pendurado acima de você… como uma promessa.”

Ele dá um passo à frente.

“Mas eu já te disse… eu não luto por metal. Eu não subo escadas por títulos. Eu não olho pra cima… eu puxo pra baixo. Enquanto você sobe degrau por degrau acreditando que está mais perto do topo… eu estou lá embaixo… esperando o momento exato pra tirar o chão de você. Porque essa luta não é sobre alcançar algo… é sobre o quanto você aguenta antes de cair… e o quanto de você ainda sobra quando isso acontece.”

O som da escada ecoa quando ele a derruba no chão.

“Você diz que ninguém tira isso de você… ‘nadie’… mas você nunca esteve em um lugar onde tirar não é o suficiente. Eu não vou tirar sua vitória, Bandido… eu vou tirar o que fez você chegar até ela. Cada queda sua nessa escada não vai ser só dor… vai ser uma lembrança sendo arrancada, uma certeza sendo quebrada, um pedaço daquilo que você chama de identidade desaparecendo.”

A voz fica mais baixa, mais pesada.

“Você construiu seu nome fazendo o público acreditar que você sempre aguenta mais… sempre entrega mais… sempre levanta. Mas o que acontece quando levantar não adianta mais? Quando cada degrau que você tenta subir te leva mais perto de perder tudo ao invés de ganhar? Você chama isso de lucha… de vida… de resistência… eu chamo de coleta.”
Mortis encara a câmera, imóvel.
“Porque no fim, Bandido… não importa o quão alto você suba… não importa o quão forte você se agarre naquele cinturão… quando eu puxar você de lá… não vai ser uma queda. Vai ser o seu fim. E quando você tocar o chão… não vai existir aplauso, não vai existir redenção… só silêncio. E naquele silêncio… eu vou arrancar de você o que realmente importa.”

Uma pausa longa.

“A sua máscara… a sua alma… o seu nome.”

Ele se aproxima um último passo, quase saindo da escuridão.

“E tudo aquilo que você disse que ninguém poderia tirar…”
Silêncio absoluto.

“Fin de Los Días… não está no topo da escada.”
Mais uma pausa.

Your Death disse...

“La Sombra… eu escutei cada palavra sua. Eu ouvi você falar de religião, de sistema, de deuses e sacrifícios… ouvi você dizer que não nasceu pra fazer parte disso… que nasceu pra quebrar tudo isso. Você se chama de sombra… como se fosse algo inevitável… como se fosse o medo que cresce atrás do trono… o erro no sistema… a falha na história. Mas você ainda não entendeu uma coisa… sombras só existem porque existe luz. E tudo aquilo que você diz que quer destruir… ainda é o que te mantém vivo.”

Mortis passa lentamente a mão pela máscara na mesa, como se estivesse lendo algo nela.

“Você diz que perdeu o homem… que ganhou a máscara e deixou o resto morrer no caminho… que agora não tem mais nada a perder. Mas isso não te torna perigoso… isso te torna vazio. E eu não luto contra ideias… eu não luto contra discursos… eu não luto contra filosofia. Eu luto contra o que sobra depois que tudo isso cai. E quando a sua ‘verdade’ acabar… quando esse personagem que você criou pra se proteger não aguentar mais… vai sobrar o quê, La Sombra?”

Ele levanta a máscara alguns centímetros… e solta de volta com um som seco.

“Você acredita que está acima da tradição… acima da honra… acima do legado… mas no fim, você ainda está preso a isso. Preso na necessidade de provar que é diferente… preso na necessidade de quebrar algo que você nunca conseguiu abandonar de verdade. Você diz que não é sacrifício… mas tudo em você grita que foi. Cada palavra sua… cada escolha… cada passo… foi moldado por aquilo que você diz odiar.”

Mortis inclina levemente a cabeça, encarando a câmera.

“Você se chama de sombra… mas eu não temo escuridão. Eu sou o fim dela. Porque enquanto você se esconde atrás de conceitos… eu faço algo muito mais simples. Eu tiro. Eu arranco. Eu apago. Você quer questionar o sistema… quer provar que não é só mais um nome… quer mostrar que pode derrubar qualquer um que esteja no topo. Mas essa luta não é sobre sistema… não é sobre legado… não é sobre história.”

Ele dá um passo à frente, saindo mais da escuridão.

“É sobre o que acontece quando você fica frente a frente com alguém que não precisa de nada disso pra existir.”
Silêncio breve.

“Você falou de máscaras que valem mais do que o homem por trás delas… falou de deuses intocáveis… de fiéis… de sacrifícios… mas você esqueceu de uma coisa. Toda religião… termina da mesma forma. Com alguém sendo levado. Com alguém sendo escolhido. Com alguém sendo entregue.”

A voz fica mais baixa, mais fria.

“E é aí que eu entro.”

Mortis apoia as mãos na mesa de pedra.

“Não importa se é você… ou o Bandido… não importa quem sobreviva a essa semifinal… porque quem sair de lá não vai sair vencedor. Vai sair marcado. Vai sair quebrado. Vai sair pronto. Porque essa luta… essa final… não vai decidir quem é o melhor… vai decidir quem é o próximo.”

Ele se aproxima ainda mais da câmera.

“Você acha que está caminhando pra mudar a história… que está vindo pra reescrever tudo… mas na verdade… você só está andando em direção ao mesmo fim que todos os outros. E quando esse momento chegar… quando você estiver na minha frente… não vai existir religião… não vai existir ideologia… não vai existir sombra pra se esconder.”

Pausa longa.

“Só vai existir escolha.”
Ele sussurra.

“E você já fez a sua… no momento em que decidiu continuar.”

Mortis pega a máscara da mesa… e segura firme.

“Porque no fim, La Sombra… não importa quem você acredita ser… não importa o que você acha que representa… quando eu arrancar isso de você… tudo isso desaparece. Sistema… legado… crença… tudo vira silêncio.”

Silêncio absoluto.

“E o sobrevivente dessa semifinal…”

Ele aperta a máscara com força.
“…não decide o campeão.”

Mais uma pausa.

“Só decide quem será a vítima.”

Um sussurro final, quase inaudível:

“Executado… pelas minhas mãos.”

Mortis

Brownsky Cardona disse...

Duas vidas, uma morte.

Eu olho para o espelho e me deparo com dois homens: aquele que eu já fui um dia, e aquele que represento com a minha máscara. Eu parei de olhar o espelho e foquei apenas nas cicatrizes que o mundo causou para aquele pequeno garoto. Tornei-me um homem ferido, precisava me reconhecer, precisava renascer. Hoje, olho no espelho novamente e percebo que o tempo implantou um mistério em minha cabeça: não seriam esses dois homens a mesma coisa? Sem a máscara, sou vazio, sem propósito, sem ambição, sem significado. Sem ela, eu ainda sou aquela criança, segurando as próprias entranhas em meio ao caos que deus mandou para aquela cidade pérfida, ouvindo gritos vazios, de uma única palavra, "Socorro"... olhando através do escuro que minhas mãos mascaravam para que não enxergasse a quantidade de sangue naquele local. Eu não esperava estar aqui hoje, não esperava me tornar aquilo que sou, algo que vai além da compreensão de qualquer indivíduo aqui dentro, algo que nem a ciência, filosofia ou até mesmo a religião ousaria a questionar o "por quê" disso.

Mas ao olhar para o espelho eu ainda consigo enxergar o pequeno Gilbert de oito anos, sozinho, isolado, implorando pela presença da própria mãe. Eu ainda enxergo os corpos que ele presenciou naquele terremoto, mutilados, esmagados. Naquele momento o pequeno Gilbert percebeu o valor da vida. Ele percebeu o quão frágil o ser humano é, o quão quebrável ele pode ser. Mas já era tarde para ele, Gilbert foi morto naquele acidente, junto com sua mãe, com seus amigos e vizinhos, mas do trauma dele nasceu algo, não apenas um outro ser de carne e osso, mas sim, uma ideologia, que carregará suas memórias para toda a eternidade. E essa ideologia é como temos que dar valor para a nossa vida, porque quando se trata dela, temos de certeza de uma coisa, que a morte é inevitável.

E é aí que entra a outra face que enxergo naquele espelho, meu verdadeiro rosto... A morte. Quando Gilbert se tornou uma mera lembrança, Mil Muertes nasceu, não apenas como um ser temerário, mas sim, como a personificação da própria morte. Agora, o que sobrou daquele garoto tem um propósito, punir aqueles que não dão valor á vida, ser o júri e o algoz daqueles que desperdiçam algo tão valioso, encerrar o ciclo de algo sem sentido, mostrar para pessoas perdidas o valor de suas próprias vidas. Uma vida sem sentido não vale a pena ser vivida, se for necessário, eu morrerei mil vezes, e renascerei outras mil para que essa essa ideia seja colocada na prática, e irei concretizar aquilo que fui destinado a fazer.

E a minha resposta para o mistério deste espelho: esses dois homens não são a mesma coisa. Quem está falando hoje, e todas as vezes que me direcionei a um ringue, é o homem com a máscara. Porque eu decidi que não posso deixar que tudo que minha contraparte sem a máscara sacrificou caia em vão pelo esquecimento da eternidade. Hoje, não é meu desempenho que fala, não são os sonhos daquela criança de oito anos, não são todos que dizem, sou eu quem pergunto: será que ele fala sério? Será que é capaz de transformar tal ideia em realidade? Vocês é quem irá responder Hijo del Santo, porque você foi o escolhido como o portador da minha primeira mensagem.

Mas não se engane, você não será testado mi Hijo, você será sacrificado em prol de um propósito muito maior. A ideologia que eu prego já não se encaixa com quem você realmente é. Porque sua vida já não existe mais para ser testada, lá no fundo, você já está morto. Mas em relação aos outros três, esses sim precisam passar pelo meu julgamento. Embora eu não carregue a mesma ambição que vocês possuem para ganhar esse título. Eu não estou aqui por fama, por dinheiro ou por notoriedade, no entanto, não significa que eu não queira ganhá-lo. Porque obter essa conquista significa que o meu dever foi cumprido, que eu consegui transmitir minha mensagem para todos vocês...

Continua...

Brownsky Cardona disse...

Eu compreendo quem ou o que vocês são, mas não se enganem. Há homens que usam máscaras para esconder o rosto… e há aqueles que as usam para esconder a verdade. Mil Muertes não vê máscaras como símbolos de honra, ele as vê como confissões. Porque toda máscara revela algo: medo, culpa… ou fraqueza. O mundo se divide em duas faces. A face do correto, onde o homem encara a morte e aprende com ela. E a face do incorreto, onde ele foge, se esconde, se ilude com identidades que não suportariam existir sem um pano cobrindo a própria essência. É aqui que entra a filosofia que ecoa como um teste: a vida só tem valor quando está por um fio.

E esses três nunca foram testados.

Qual o valor da vida de um homem que carrega o caos no nome, mas vive na ordem da covardia. Ele veste uma máscara como quem veste uma desculpa. Diz ser destruição… mas nunca encarou a própria ruína. Ou um homem que literalmente abandona sua identidade, afinal, um homem sem rosto é um homem sem responsabilidade. E por último, o nome que invoca luz, disciplina, propósito. Mas um verdadeiro samurai encara a morte de frente, sem esconder o olhar. Você? Você luta atrás de um disfarce… como se pudesse enganar o inevitável.

Vocês três representam o mesmo erro… três variações da mesma mentira. A máscara que vocês vestem todo santo dia para venderem suas teses não os tornam guerreiros, não fazem vocês luchadores, mas sim, fazem de vocês vítimas de uma mentira que vocês mesmos dizem para si mesmos. Então senhores, isso não será apenas uma luta para ganhar um pedaço de couro, mas sim será um teste. Não vai ser a máscara de vocês que irá decidir quem vocês são, mas sim o valor que vocês dão pela vida que vocês vivem.

E então eu lhes pergunto. Qual o valor da vida de vocês? O que vocês estão dispostos a sacrificar por ela? Perguntas que responderemos juntos naquele ringue, mas, independente do que aconteça, saibam de uma coisa, independente do que aconteça, nada irá me parar, eu viverei e morrerei mil vezes, mas sempre testá-los, e caso falhem, terei o prazer de adicionar suas almas na minha coleção.

Atenciosamente... Mil Muertes

Zack disse...

**Tela preta. Um único batuque de tambor de guerra. Silêncio.**

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**A fogueira. A máscara. O Sol dourado. Os olhos do jaguar. Samuray del Sol está sentado, olhando para o fogo. Mais quieto do que da última vez. Como se algo dentro dele tivesse mudado de lugar.**

Eu perdi.

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**Silêncio.**

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Não há outra forma de dizer. Fui superado. O outro homem foi melhor naquela noite. E eu caí.

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**Samuray não se move. Não desvia o olhar das chamas.**

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O mundo já acabou quatro vezes.

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Quatro Sóis nasceram, brilharam com tudo que tinham... e morreram. Não por fraqueza. Não por covardia. Mas porque o ciclo exigia. Porque antes de um novo Sol nascer, o anterior precisa se apagar.

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Os astecas não choravam o fim de uma era.

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Eles acendiam uma fogueira nova.

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**Samuray olha para as chamas por um longo momento.**

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Aquela derrota não foi um acidente. Não foi azar. Não foi injustiça. Foi o universo me dizendo que eu ainda não era o que precisava ser. Que havia algo em mim que precisava morrer antes que algo maior pudesse nascer.

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E eu ouvi.

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**Ele coloca a mão no peito, devagar.**

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Um guerreiro asteca que sobrevivia a uma batalha não voltava para casa envergonhado. Ele voltava transformado. Porque quem passa pelo fogo e não se consome...

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Vira fogo!

Zack disse...

**Uma pausa longa. Depois, Samuray vira levemente a cabeça. Como se os três adversários já estivessem ali, e ele simplesmente... não achasse necessário encará-los.**

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Deixa eu te falar sobre eles...

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Havoc.

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**Uma pausa longa. Quase desconfortável.**

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Um nome que quer dizer caos. Destruição. Como se isso fosse suficiente. Como se chegar aqui com um nome assustador e uma atitude agressiva fosse o mesmo que ter algo a dizer.

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Eu conheço o caos. Os astecas viveram quatro apocalipses. Quatro fins de mundo. Quatro vezes tudo foi destruído e recomeçado. O caos não me intimida.

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O caos sem propósito... só me entristece.

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**Samuray vira levemente a cabeça. Para o outro lado. Como se olhasse para alguém diferente.**

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El Hijo del Santo.

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O filho do Santo.

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**Samuray deixa o silêncio trabalhar.**

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Você carrega um nome que não construiu. Uma máscara que não escolheu. Uma herança que não pediu. E todo dia você entra em uma arena, coloca essa máscara no rosto, e espera que as pessoas vejam o pai quando olham para o filho.

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Isso não é identidade.

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Isso é uma sombra que aprendeu a andar.

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**Samuray finalmente olha para o fogo. Mas com calma. Com algo próximo de compaixão.**

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E Sin Piedad.

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Sem piedade. Mais um nome. Mais uma promessa de violência embalada como personalidade. Como se a ausência de algo, a falta de piedade, de medo, de dor, pudesse preencher o espaço onde deveria haver uma razão para existir.

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Você não tem piedade.

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Eu tenho pena.

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**Samuray se levanta devagar. Com peso. Com o mesmo peso de antes. De sempre.**

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Três homens. Três nomes. Três fantasias de poder.

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E nenhum dos três pode me responder uma coisa simples.

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**Ele finalmente olha para frente. Direto.**

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Por quê?

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Por que você quer esse cinturão?

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Fama? Dinheiro? Porque é a próxima luta no calendário?

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**Samuray caminha lentamente em volta da fogueira.**

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Os guerreiros astecas não escolhiam suas batalhas por glória. Não lutavam para que o povo gritasse seus nomes. Eles lutavam porque o universo exigia. Porque Tonatiuh, o Deus Sol, precisava ser alimentado para continuar sua jornada. Porque sem o esforço, sem o sangue, sem a entrega total de cada guerreiro em cada batalha...

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O Sol para.

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O mundo acaba.

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**Samuray para. Olha para as chamas por um momento longo.**

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Esse Campeonato Latino-Americano não é um troféu.

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É uma obrigação.

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É o peso de cada povo que foi apagado. De cada cultura que foi silenciada. De cada nome que tentaram destruir e não conseguiram.

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Eu não quero esse cinturão.

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**Ele vira o rosto para o lado. Os olhos do jaguar brilham com o reflexo do fogo.**

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Eu fui mandado para buscá-lo.

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E vocês três...

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**Uma última pausa. Ensurdecedora**

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Vocês simplesmente estão no caminho.

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**A fogueira apaga. Tela preta.**

Miller disse...

Eu não vou chegar aqui falando bonito, escolhendo palavra difícil, tentando parecer algo que eu nunca fui, porque isso não é quem eu sou e você sabe disso melhor do que ninguém, La Sombra, você tava lá, você viu de perto, você sentiu o mesmo calor, o mesmo cheiro de suor, o mesmo peso daquele maldito centro de treinamento da CMLL onde a gente não aprendia a falar bem, a gente aprendia a cair e levantar, a gente aprendia a engolir dor e voltar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, e naquele lugar você sempre foi o cara que todo mundo olhava primeiro, sempre foi o talento, sempre foi o escolhido, sempre foi o que os treinadores chamavam pra mostrar golpe, sempre foi o exemplo, o que tinha tudo pra dar certo, e eu via isso todo dia, eu via você sendo tratado como futuro enquanto eu tava lá no canto sendo só mais um cabrón tentando não desaparecer, tentando não ser só mais um corpo jogado no chão, e isso não me fez desistir, isso me fez piorar, isso me fez virar outra coisa.

Porque enquanto você crescia com elogio, eu crescia com necessidade, e necessidade, hermano, é uma coisa que você nunca teve mais do que eu, nunca.

Eu lembro de cada sparring, eu lembro do jeito que você entrava, todo limpo, todo técnico, tudo bonito, tudo certo, parecia fácil pra você, parecia natural, e todo mundo ao redor comprava isso, todo mundo acreditava nisso, mas eu também lembro do outro lado, eu lembro do momento em que a luta deixava de ser bonita, eu lembro do momento em que começava a ficar feio, pesado, duro, quando não dava mais pra controlar o ritmo, quando não dava mais pra ditar o jogo, quando alguém precisava aguentar mais do que o outro, e nesses momentos, La Sombra, nesses momentos você nunca foi mais que eu.

Porque eu não tava ali pra parecer bom, eu tava ali pra sobreviver, eu tava ali pra tomar teu espaço, eu tava ali pra te empurrar até você sentir que aquilo não era mais confortável.

E você sentia, claro que sentia, porque você começava a recuar, você começava a pensar mais do que agir, e eu não penso, eu avanço, eu erro e continuo, eu apanho e continuo, eu canso e continuo, porque isso aqui pra mim nunca foi escolha, isso aqui sempre foi tudo.

Miller disse...

Eu nunca paro.

E agora o mundo gira e coloca a gente de novo frente a frente, só que agora não é mais um treino escondido, não é mais um sparring onde só meia dúzia vê, agora é Mucha Lucha, agora é La Forja del Campeón, agora é semifinal, agora é quando todo mundo assiste, e eu já passei por Samuray del Sol, e não foi porque eu tive sorte, não foi porque caiu no meu colo, foi porque tudo aquilo que eu construí lá atrás funciona quando a pressão é de verdade, funciona quando o corpo pede pra parar e você não para, funciona quando o cara do outro lado também é bom e você precisa ser mais do que bom.

Eu vivo isso, cabrón, eu respiro lucha libre todo santo dia.

E agora você tá aqui, de novo na minha frente, o mesmo cara que sempre foi apontado como especial, o mesmo cara que sempre carregou esse nome forte, esse respeito, essa imagem limpa, esse estilo bonito, e eu tô aqui do outro lado sendo exatamente o que eu sempre fui, um bandido, um fora da lei, um cara que não pede espaço, um cara que toma.

Você pode ser mais técnico. Pode ser mais bonito. Pode ser mais perfeito. Mas luta não é sobre isso.

Você pode entrar nesse ringue com toda tua técnica, com todo teu controle, com toda tua elegância, pode entrar como o lutador perfeito que todo mundo gosta de ver, mas eu não tô aqui pra assistir luta bonita, eu tô aqui pra ganhar, eu tô aqui pra te atropelar quando isso sair do roteiro, porque vai sair, sempre sai, e quando sair você vai ter que lidar comigo, não com o lutador que segue regra, não com o cara que espera o momento certo.

Mas com o cara que quebra o momento, que destrói o ritmo, que transforma a luta em algo que você não consegue controlar.

E aí, hermano, aí é onde eu vivo, aí é onde eu cresço, aí é onde você começa a ficar desconfortável, porque você sempre brilhou quando tudo tava no lugar, eu brilho quando tudo vira caos.

Quando a luta fica de verdade, eu sou melhor que você.

Óyeme bien, La Sombra, isso aqui não é história bonita, isso aqui é ajuste de contas, isso aqui é o cara que sempre foi deixado de lado vindo cobrar o cara que sempre teve tudo mais fácil, isso aqui é o fora da lei entrando na cidade pra tomar o que é dele, sem pedir permissão, sem bater na porta.

Porque no final, quando a dor bate e o cansaço chega, só sobra quem se recusa a cair.

Então traz tudo, cabrón, traz teu melhor, traz tua confiança, traz tua história, traz esse nome que você construiu, porque eu vou entrar naquele ringue como sempre entrei, como um bandido do velho oeste, olhando no teu olho, sem dar um passo pra trás, pronto pra te derrubar e seguir andando.

Porque é isso que eu faço. Eu não peço. Eu tomo.

E quando acabar, quando você estiver no chão entendendo o que aconteceu, não vai ter desculpa, não vai ter dúvida.

O herói para.

O bandido continua.

(Postando para o Bandido)

Miller disse...

Fim do Prazo!

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