Vamos ¡A LUCHAR! #02 dando continuidade ao programa bissemanal da MUCHA LUCHA! Confira o Card no "MAIS INFORMAÇÕES"!
Local:
Theme-Song:
"Mucha Lucha" - Chicos de Barrio
Card:
Celebración
"Campeón Mundial Absoluto" Mortis
Lucha Individual
"Campeón Mundial Absoluto" Mortis VS Juanzito Lucha Libre
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*
Lucha Individual
Campeonato Latinoamericano
(c/Catrina) Mil Muertes (c) VS El Hijo del Santo
*1° Defesa no 1° Reinado*
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*
Cuadrangular
"Campeón de Parejas" Penta VS Sin Alma VS El Capitán VS ????
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*
Cuadrangular
"Campeón de Parejas" El Desperado VS Sin Esperanza VS Havoc VS Zumbi
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*
-EVENTO PRINCIPAL-
Cuadrangular
La Sombra VS Sin Piedad VS Killshot VS MJ
*Limite de 2 partes de comentário por Luchador*
PRAZO: SÁBADO (30/05/2026) 23h59 (horário de Brasília)
Podem Promar antes do fim do prazo! Os comentários serão ocultados e só poderão ser vistos após o prazo, então seu adversário não ficará em vantagem caso você Prome antes! Você não corre o risco de perder o Prazo dos comentários e ainda me ajuda a poder já adiantar com o show!
Divirtam-se!
¡A LUCHAR!










14 Comments:
M-M-M-MAYBACH MUSIC
HUH!
Vocês acharam que era um blefe. Quando o Biggest Boss pisou neste país e disse que o sangue seria a moeda de troca, vocês acharam que era apenas a velha retórica americana de filme. Mas aí Killshot subiu naquele ringue, e MJ descobriu que quando o gatilho é puxado, a gravidade funciona muito mais rápido do que em qualquer pirueta que ele aprendeu na escola de wrestling. O recibo foi entregue, o corpo dele quebrou, e o depósito caiu na conta do meu soldado antes mesmo do corpo daquela foca bater no tablado.
E eu sei que o cartel entendeu o recado, porque agora estão desesperados tentando parar o meu atleta. A solução deles? Colocar três corpos no caminho da bala. Eles acham que matemática simples funciona aqui, que três contra um diminui as chances do meu atirador. Amadores... Você vê, um Real G como eu não aprendeu matemática estudando a tabuada na escola, e sim contando Ben Franklin's nas ruas de Miami. Homens de negócios pensam em escala. Enquanto os promotores daqui tentam vender máscaras coloridas e nostalgia para crianças pobres nas arquibancadas, eu estou olhando para números maiores. Contratos. Fluxo de caixa. Controle territorial. Por isso, para mim um quadrangular no evento principal não é uma desvantagem, é apenas eficiência de mercado. É economizar munição eliminando a concorrência de uma vez só.
Porque uma bala parece mais do que suficiente para esses três patinhos...
MJ, tenha alguma humildade meu negro... reconheça seus limites e procure desafios menores. Eu já conheci muitos homens como você, orgulhoso demais para aceitar derrota, pobre demais para abandonar a mesa, então voltou para o ringue pensando que talvez dessa vez a história mude. Mas não vai mudar. Porque isso não é algo pessoal, e Killshot não é um "luchador" igual você, ele é uma arma militar privatizada. Então pra ele, você não é um competidor, você é uma ponta solta. E no meu mundo, pontas soltas são cortadas. Sua audácia vai lhe custar tudo... Killshot já acertou seu coração na primeira vez, e agora ele vai mirar na sua alma.
La Sombra, Sin Piedad... não deixem que os negócios pessoais de vocês entrem no caminho dos meus, estou lidando com assunto de gente grande. Peixes grandes demais para o laguinho de vocês...
Porque afinal, o que é a sombra para um homem que foi treinado para caçar no escuro? Meu negro deixe eu te ensinar uma coisa, as sombras só existem porque tem algo maior bloqueando a luz. Por isso você não é a escuridão, é apenas a silhueta perfeita contra a parede na hora que o laser do rifle acende.
E do que adianta não ter piedade quando você não tem o alcance? Você pensa que não tem piedade até conhecer alguém que verdadeiramente não tem nada a perder, mas muito, muito dinheiro a ganhar.
Vocês estão chamando isso de evento principal, eu chamo de Assembleia de Credores. No próximo show, os fantoches de vocês vão entender que não há agilidade que seja mais rápida do que a velocidade de uma bala de calibre .50. E os homens controlando 'la plata' vão entender que definitivamente não podem foder comigo.
La Sombra, Sin Piedad, MJ... garantam que seus seguros de vida estejam em dia. Porque quando o gongo soar, o Biggest Boss vai estar sentado na fileira da frente, contando o dinheiro, enquanto o Killshot limpa o cano da arma no que sobrar de vocês.
Killshot... sem testemunhas. Deixe o ringue pintado de vermelho. Lembre-se, trabalho triplicado, pagamento triplicado.
THE BIGGEST BOSS
Ricky Rozay, a.k.a. Rick Ross
07.06.2026 - ᴍᴇxɪᴄᴏ ᴄɪᴛʏ, ᴍᴇxɪᴄᴏ
ᴀʟᴠᴏs ɪᴅᴇɴᴛɪғɪᴄᴀᴅᴏs: ᴍᴊ (ʀᴇ-ᴇɴɢᴀᴊᴀᴍᴇɴᴛᴏ) | ʟᴀ sᴏᴍʙʀᴀ | sɪɴ ᴘɪᴇᴅᴀᴅ
*Aqui é Kilo-Sierra-Zero-Um. Transmissão de atualização tática. O cenário mudou de infiltração cirúrgica para supressão de múltiplos alvos. 'The Boss' aumentou o orçamento e o pagamento já foi compensado. Atualizando coordenadas do satélite. O ambiente agora é uma zona de fogo cruzado.*
ғɪᴄʜᴀ ᴅᴇ ᴍɪssãᴏ: ᴏᴘᴇʀᴀçãᴏ "ᴛᴇʀʀᴀ ᴀʀᴀᴅᴀ"
>>ᴅᴇsɪɢɴᴀçãᴏ ᴅᴀ ᴍɪssãᴏ: ʟɪǫᴜɪᴅᴀçãᴏ ᴅᴇ ᴄᴏʟᴀᴛᴇʀᴀɪs ᴇ ᴄᴏɴsᴏʟɪᴅᴀçãᴏ ᴅᴇ ᴛᴇʀʀɪᴛóʀɪᴏ
>>sᴛᴀᴛᴜs ᴅᴇ ᴘʀᴏɴᴛɪᴅãᴏ: ᴠᴇʀᴍᴇʟʜᴏ. ᴀʟᴇʀᴛᴀ ᴍáxɪᴍᴏ. ᴍᴜɴɪçãᴏ ᴘᴇsᴀᴅᴀ ᴄᴀʀʀᴇɢᴀᴅᴀ.
>>ʀᴇɢʀᴀs ᴅᴇ ᴇɴɢᴀᴊᴀᴍᴇɴᴛᴏ: ᴇxᴛᴇʀᴍíɴɪᴏ ᴛᴏᴛᴀʟ. ɴãᴏ ʜá ᴀʟɪᴀᴅᴏs ɴᴏ ᴘᴇʀíᴍᴇᴛʀᴏ. ǫᴜᴀʟǫᴜᴇʀ ᴍᴏᴠɪᴍᴇɴᴛᴏ é ᴄᴏɴsɪᴅᴇʀᴀᴅᴏ ᴀᴍᴇᴀçᴀ.
>>ᴏʙᴊᴇᴛɪᴠᴏ ᴘʀɪᴍáʀɪᴏ: ᴄᴏɴsɢᴜɪʀ ᴀ ᴄᴏɴᴛᴀɢᴇᴍ ᴅᴇ ᴄᴏʀᴘᴏs. ᴍᴀɴᴛᴇʀ ᴏ ᴍᴀɪɴ ᴇᴠᴇɴᴛ sᴏʙ ᴄᴏɴᴛʀᴏʟᴇ ᴅᴀ ɪɴᴠᴀsãᴏ.
*Extração confirmada após o toque do gongo. O relatório final será o mesmo, apenas com mais assinaturas no necrotério. Câmbio.*
No exército, eles nos ensinavam a diferença entre um confronto direto e uma emboscada. Em uma emboscada, você não escolhe quem atira primeiro, você apenas garante que é o único que vai continuar de pé quando a poeira baixar. O cartel achou que enviar um homem seria o suficiente para parar os negócios de Ross, mas quando viram MJ quebrado no centro do ringue, perceberam que precisavam de mais bucha de canhão. Agora eles triplicaram o problema, e eu tripliquei o meu preço. Mas Ross já deixou muito claro que isso não vai ser um problema.
Os cartéis estão sangrando dinheiro, e eu sou o torniquete que vai cortar o fluxo de vez. Eu não me importo com quem vai receber o primeiro impacto ou quem vai ser o último a cair. Minha doutrina militar é clara: se respira na minha área de operação, é um alvo em potencial. A distância de segurança não existe mais. O caos de um quadrangular é o meu ambiente natural, porque no meio do tiroteio, enquanto vocês tentam entender de onde vem o ataque... a bala de Killshot já perfurou a sua defesa.
MJ, eu já decodifiquei o seu padrão de movimento, e o resultado foi exatamente o esperado: impacto confirmado, alvo abatido. Eu já quebrei você uma vez, voltar para este ringue comigo não é coragem, é um erro de cálculo fatal. O seu rastreador continua travado, e a minha mira não precisa ser recalibrada para o que já está danificado.
La Sombra, você acha que pode se misturar com a escuridão e aparecer onde eu menos espero? Eu passei anos da minha vida caçando homens que nasceram e cresceram nas sombras das cavernas de Tora Bora. A escuridão não te esconde de mim, ela só te isola do resto do mundo para que ninguém ouça os seus gritos. No exército, sombras eram movimento suspeito, algo escondido atrás de uma parede esperando o momento de atacar. E sabe o que aprendemos a fazer com ameaças escondidas? Eliminar antes que tenham oportunidade de reagir.
Sin Piedad, você prega a falta de piedade no seu nome, mas você foi moldado pelas regras de um esporte. Eu fui moldado pela ausência de regras em solo estrangeiro. Você transformou ausência de compaixão em personagem, eu transformei em mecanismo de sobrevivência. Existe uma diferença enorme entre fingir ser cruel diante de uma plateia e aprender a desligar a própria humanidade pra voltar vivo pra casa.
Você luta sem piedade? Eu vivi sem ela.
Enquanto vocês entram no ringue pensando em vitória, popularidade e legado… eu entro pensando em eficiência. Não existe honra militar em combate corpo a corpo. Existe apenas resultado. E o resultado já foi calculado.
Três homens presos dentro de uma zona de abate...
La Sombra vai descobrir que nem toda escuridão protege...
Sin Piedad vai perceber que existem coisas piores do que crueldade...
E MJ… bem… você já sabe exatamente como essa história termina.
Os sensores estão travados. O espaço aéreo foi comprometido. Nenhum dos alvos possui rota segura de extração. Quando o sino tocar, vocês não estarão entrando numa luta, estarão entrando no meu raio de alcance.
*Câmbio, desligo.*
KILLSHØT
“O LORD NÃO PERDEU, ELE FEZ BUFFERING”
A câmera abre no mesmo teatro vazio.
Só que agora o palco está diferente.
No centro, há uma maca improvisada feita com três cadeiras, uma toalha brilhante em cima da cabeça de MJ, uma bolsa de gelo no pescoço, uma box of good good fechada e Márcia abanando ele com uma revista antiga da Mucha Lucha.
MJ está deitado, imóvel, dramático.
Márcia sussurra para a câmera:
— Por favor, silêncio. O Patraum está em recuperação artística.
MJ levanta um dedo.
— Márcia…
— Sim, Patraum?
— Eu não estou em recuperação.
— Não?
MJ abre os olhos devagar.
— Eu estou em loading.
Márcia leva a mão ao peito.
— Ai, meu Deus. O Patraum virou sistema.
MJ senta com dificuldade, tira a toalha da cabeça e encara a câmera.
— Mucha Lucha… Monterrey… Evento Principal… La Sombra… Sin Piedad… Killshot…
Ele pausa.
— E MJ.
Márcia se arrepia.
— O nome dele fecha a frase igual tampa de caixão, Patraum.
MJ olha para ela.
— Márcia, não fala caixão. Mortis já tem esse department.
— Perdão, Patraum.
MJ se levanta, cambaleia um pouco, tenta fazer moonwalk, mas para imediatamente e segura a cabeça.
— Márcia.
— Sim?
— Meu cérebro fez hee-hee por dentro.
— Isso é grave?
— Não. É talento tentando sair.
MJ encara a câmera.
— Killshot… no último show, você colocou seu pé na minha cabeça e chamou isso de vitória.
Ele aponta para o chão.
— No, brother. Aquilo não foi derrota.
Pausa dramática.
— Aquilo foi meu corpo fazendo update.
Márcia aplaude.
— Atualização de sistema, Patraum!
MJ continua:
— Você venceu o pinfall, yes. Mas eu venci o momento. Porque antes de você me pisar igual boleto vencido, todo mundo viu. Eu dancei. Eu chutei. Eu deslizei. Eu transformei sua violência em clipe.
Ele aproxima o rosto da câmera.
— Você me deu Kill Stomp.
Pausa.
— Eu dei entretenimento.
Márcia aponta para a câmera.
— E entretenimento não tem ombro no chão!
MJ sorri.
— Exactly.
Ele começa a andar pelo palco.
— Mas agora não é só Killshot. Agora tem La Sombra e Sin Piedad.
MJ para, confuso.
— Márcia, por que todo mundo nessa empresa tem nome de sofrimento?
Márcia olha a prancheta.
— La Sombra é sombra, Patraum.
— Eu sei.
— Sin Piedad é sem piedade.
— Eu sei.
— Killshot é tiro mortal.
MJ encara a câmera, indignado.
— E eu sou Mailson Josevaldo, uma pessoa jurídica da dança, colocado no meio de um blackout, um homem sem dó e um revólver musculoso.
Márcia balança a cabeça.
— Perseguição contra artista.
MJ aponta para cima.
— Mas sabe o problema deles, Márcia?
— Qual, Patraum?
— Eles são dark demais.
Ele pega a luva branca.
— La Sombra vive na sombra. Sin Piedad não tem piedade. Killshot só pensa em matar a vibe. Tudo muito sério, muito heavy, muito “eu fui traído pela indústria”, muito “minha máscara carrega meu legado”, muito “eu vou te destruir”.
MJ veste a luva.
— Brother… às vezes você só precisa de um good good e um chão smooth.
Márcia ergue a caixa de bombom.
— Good Good salva almas, Patraum.
MJ olha para a câmera.
— La Sombra… você é intenso. Você fala bonito. Você fala de indústria, de máscara, de escuridão, de mudar a história.
Ele faz uma pausa.
— Mas quando a luz do palco acende, sombra não aparece.
Márcia arregala os olhos.
— Patraum veio com física e ameaça.
MJ gira o chapéu na mão.
— Sin Piedad… você quer apostar máscara, quer provar valor, quer honrar legado, quer carregar seus hermanos nas costas.
Ele inclina a cabeça.
— Bonito. Muito bonito. Mas cuidado, brother. Porque se você entrar no ringue sem piedade, eu entro sem noção.
Márcia aponta para ele.
— E a falta de noção do Patraum é internacional!
— International e parcelada, Márcia.
MJ se aproxima mais.
— E Killshot…
Silêncio.
— Você já me venceu uma vez.
MJ sorri.
— Grande erro.
Márcia cochicha:
— Por quê, Patraum?
MJ responde sem tirar os olhos da câmera.
— Porque agora eu sei que seu pé é pesado, mas sua imaginação é light.
Ele aponta para a própria cabeça.
— Você tentou dar Headshot no Lord. Mas esqueceu que aqui dentro não tem cabeça normal.
Pausa.
— Tem show business.
Márcia se emociona.
— A mente do Patraum é um shopping com palco.
MJ começa a demonstrar a luta.
— No Evento Principal, vai ser assim: La Sombra vai apagar a luz. Sin Piedad vai gritar sobre honra. Killshot vai mirar na minha cara. E eu?
Ele faz moonwalk.
— Eu vou estar no lugar errado, na hora errada, fazendo a coisa certa.
Márcia grita:
— Estratégia sem GPS!
MJ aponta para ela.
— Isso.
Ele continua:
— La Sombra tenta me pegar… eu faço smooth escape. Sin Piedad tenta me quebrar… eu faço dramatic no. Killshot tenta me pisar de novo… eu faço replay blocked.
Márcia anota.
— Replay blocked. Ótimo, Patraum.
MJ bate no peito.
— Porque eu não sou só lutador. Eu sou bug emocional. Eu sou atleta performático. Eu sou um erro de sistema com chapéu. Eu sou o homem que caiu na estreia, levantou no teatro e falou: “isso não foi derrota, foi divulgação.”
Márcia começa a chorar.
— Patraum, sua humilhação virou marketing.
MJ abre os braços.
— Toda queda é conteúdo, Márcia.
Ele pega a box of good good, abre e olha dentro.
— Márcia.
— Sim?
— Tem coco?
— Não, Patraum. Só chocolate.
MJ fecha os olhos, aliviado.
— Finalmente uma equipe profissional.
Ele pega um bombom, ergue para a câmera como se fosse um título.
— La Sombra, Sin Piedad, Killshot… olhem bem para isso.
Pausa.
— Isso é doce.
Ele morde.
— Igual vai ser minha vitória.
Márcia inclina a cabeça.
— Mas vitória é doce?
MJ mastiga e responde:
— Depende do recheio.
MJ volta a ficar sério, ou o mais sério possível.
— Monterrey… prepare-se. Porque o Evento Principal não vai ser só uma Cuadrangular. Vai ser uma confusão deluxe. Uma lucha premium. Um caos full HD. Quatro homens no ringue, três problemas psicológicos e um Patraum tentando encontrar o melhor ângulo da câmera.
Márcia aplaude.
— O ângulo é importante, Patraum!
— Muito. Se eu vou apanhar, que seja no meu lado bom.
MJ aponta para a câmera.
— Killshot, você me derrubou uma vez. Mas agora tem três homens nesse ringue, e isso significa uma coisa.
Pausa.
— Tem mais gente pra você errar.
Ele vira para o lado.
— La Sombra, você quer viver no escuro. Mas quando MJ entra, até sombra pede autógrafo.
Vira para o outro.
— Sin Piedad, você não tem piedade. Eu também não tenho manual de instrução.
Volta para a câmera.
— E se vocês três acham que vão me usar como escada, cuidado.
Ele coloca o chapéu.
— Porque escada também dança quando o Lord sobe.
Márcia fica em silêncio por dois segundos.
— Patraum… eu não entendi.
MJ olha para ela.
— Nem eu, Márcia.
Pausa.
— Mas soou expensive.
— Muito expensive, Patraum.
MJ caminha até a beirada do palco. A luz branca fecha nele.
— No ¡A Luchar! #02, o mundo vai aprender uma coisa: MJ pode perder uma luta. MJ pode tomar stomp. MJ pode cair sentado, deitado, atravessado, em posição de arrependimento.
Ele levanta o dedo.
— Mas MJ não desaparece.
Pausa.
— Porque quando a música toca, o corpo lembra. Quando a luz acende, o Lord volta. Quando o público grita, Mailson Josevaldo levanta.
Márcia sussurra:
— Fala, Patraum…
MJ encara a câmera.
— E quando eu ouvir “ding ding ding”…
Márcia pega as panelas.
MJ aponta para ela.
— Não.
Ela abaixa.
— Perdão.
MJ continua:
— Quando o sino tocar, eu vou entrar naquele ringue, olhar para La Sombra, Sin Piedad e Killshot, e vou dizer:
Ele se aproxima muito da câmera.
— You three are not ready for my complete nonsense.
Pausa.
— Hee-hee.
Márcia, em devoção total:
— Patraum, encerra antes que o mundo não aguente.
MJ inclina o chapéu.
— La Sombra… Sin Piedad… Killshot…
Ele sorri.
— Me chamem de Lord.
Pausa.
— E se não chamar…
MJ faz um moonwalk para trás.
— Eu vou vencer mesmo assim, but with mágoa.
Márcia grita:
— COM MÁGOA, PATRAUM!
MJ olha para a câmera pela última vez.
— Bye.
Corte seco.
Depois do corte, ainda dá para ouvir:
— Márcia.
— Sim, Patraum?
— Marca fisioterapia.
— Por causa do Kill Stomp?
— Não.
— Por quê?
— Porque depois dessa vitória eu vou dançar até meu joelho pedir demissão.
— Sim, Patraum.
(Postando pro MJ)
“Quatro homens. Uma sentença.”
O corredor do Showcenter Complex está quase vazio. Ao fundo, ouve-se o som distante da montagem da arena, cabos sendo puxados, metal batendo em metal, vozes abafadas em espanhol. A câmera avança devagar até encontrar El Desperado sentado em uma cadeira de madeira, com o Campeonato de Parejas apoiado sobre o colo.
A máscara branca e preta está imóvel. O corpo não demonstra ansiedade. Ele apenas passa a mão sobre o cinturão, como se estivesse afiando uma lâmina.
El Desperado:
Monterrey.
Showcenter Complex.
¡A Luchar! número dois.
E mais uma vez… meu nome está no card.
Mas agora existe uma diferença.
Na primeira vez, alguns ainda podiam fingir dúvida. Podiam olhar para El Desperado e Penta e perguntar se Los Ingobernables eram ameaça, promessa ou apenas barulho.
Depois da última luta, essa pergunta morreu.
Nós vencemos.
Nós sangramos.
Nós entendemos a regra melhor do que todos.
E quando tudo acabou, este campeonato veio para o nosso lado.
Ele ergue lentamente o Campeonato de Parejas.
Este ouro aqui não é decoração.
Não é lembrança.
Não é prêmio de participação.
É prova.
Prova de que, quando o caos começa, Los Ingobernables não se perdem dentro dele.
Nós respiramos melhor.
Nós enxergamos melhor.
Nós golpeamos melhor.
E agora, no ¡A Luchar!, colocam três homens diante de mim.
Sin Esperanza.
Havoc.
Zumbi.
Três nomes diferentes.
Três caminhos diferentes.
Mas o mesmo destino.
La misma caída.
Desperado se levanta devagar. Coloca o cinturão no ombro e se aproxima da câmera.
Sin Esperanza…
Você de novo.
Eu deveria estar surpreso?
Deveria olhar para você como uma ameaça renovada?
Como alguém que aprendeu com a dor?
Como alguém que voltou mais perigoso depois de cair?
Não.
Eu olho para você e vejo uma lembrança.
Vejo o corpo que caiu quando Los Ingobernables conquistaram os Campeonatos de Parejas.
Vejo o homem que sentiu o Pinche Loco.
Vejo o homem que ouviu a contagem.
Um.
Dois.
Três.
Você pode se esconder atrás de La Trinidad Sin Rostro. Pode pintar sua derrota como acidente. Pode dizer que a lucha era de parejas, que havia caos demais, que Penta estava lá, que a regra permitiu confusão.
Mas no fim, quem caiu foi você.
E quem estava por cima era eu.
Ele inclina a cabeça, frio.
Não venha a Monterrey buscando redenção.
Redenção é para quem ainda tem alma suficiente para carregar culpa.
Você se chama Sin Esperanza.
Então viva com isso.
Porque no ¡A Luchar!, eu não vou te dar revanche.
Eu vou te dar repetição.
Otra vez. Otro golpe. Otra cuenta.
E quando você olhar para as luzes mais uma vez, talvez finalmente entenda que o problema nunca foi a luta.
O problema foi você estar dentro dela comigo.
Desperado caminha pelo corredor. A câmera acompanha. Ele passa por uma parede com cartazes do show e para diante deles.
Havoc.
Caos.
Que nome conveniente.
Muitos homens gostam de se apresentar como desordem, como violência sem controle, como tempestade que ninguém consegue prever.
Mas eu aprendi algo há muito tempo.
Todo caos tem ritmo.
Todo homem violento tem vício.
Todo monstro tem um segundo de descuido antes de atacar.
E esse segundo é tudo que eu preciso.
Você pode entrar nesse ringue querendo quebrar ossos, querendo rasgar carne, querendo transformar o cuadrangular em guerra.
Ótimo.
Faça isso.
Traga sua brutalidade.
Traga seu instinto.
Traga sua falta de limite.
Porque enquanto você tenta parecer imprevisível, eu estarei olhando para os seus pés.
Para os seus ombros.
Para a sua respiração.
Para o momento exato em que seu corpo anuncia o golpe antes da sua mente perceber.
Você chama isso de Havoc.
Eu chamo de padrão.
E padrões podem ser lidos.
Padrões podem ser cortados.
Padrões podem ser destruídos.
Yo no temo al caos. Yo lo estudio.
Ele toca a lateral da própria máscara.
E depois existe Zumbi.
O morto que anda.
O homem que carrega no nome a promessa de que não sente dor, de que sempre levanta, de que não pode ser encerrado como os outros.
Bonito.
Dramático.
Quase poético.
Mas eu não luto contra nomes.
Eu luto contra corpos.
E corpos quebram.
Mesmo os que fingem já estar mortos.
Você quer ser Zumbi?
Então venha.
Venha arrastando os pés.
Venha sem medo.
Venha como se a dor não importasse.
Porque eu não preciso que você sinta medo.
Eu só preciso que você sinta impacto.
E quando seu corpo bater na lona, quando seus braços falharem, quando seus olhos procurarem uma saída que não existe…
você vai descobrir uma verdade simples.
Até os mortos podem cair de novo.
Hasta los muertos se arrodillan.
Desperado para no centro do corredor. O som do público começa a ficar mais alto ao fundo, como se a arena estivesse despertando.
Quatro homens no mesmo ringue.
Isso deveria parecer perigoso.
Sem parceiros para confiar.
Sem canto seguro.
Sem tempo para respirar.
Um movimento errado, e qualquer um pode roubar a vitória.
Um golpe pelas costas.
Uma queda inesperada.
Um corpo jogado no caminho.
É isso que todos dizem sobre um cuadrangular.
Mas eu vejo diferente.
Eu vejo três homens tentando sobreviver ao mesmo espaço que eu ocupo.
Eu vejo três alvos.
Três erros esperando para acontecer.
Três histórias pequenas tentando atravessar o caminho de um campeão.
E eu não falo isso por arrogância.
Falo porque eu já provei.
Eu entrei na Mucha Lucha e saí campeão.
Eu entrei na primeira guerra de parejas desta empresa e deixei meu nome preso na história.
Agora querem testar El Desperado sozinho?
Muito bem.
Testem.
Tirem Penta do meu lado por uma noite.
Coloquem Sin Esperanza na minha frente outra vez.
Joguem Havoc no meio da confusão.
Soltem Zumbi como se isso fosse assustar alguém.
No final, a verdade continua a mesma.
Los Ingobernables não dependem do número de homens no ringue.
Dependem de uma coisa só.
Domínio.
Ele segura o cinturão com uma das mãos e aponta para a câmera com a outra.
Sin Esperanza quer vingança.
Havoc quer destruição.
Zumbi quer provar que ainda pode se levantar.
Eu quero algo muito mais simples.
Eu quero vencer.
Sem drama desnecessário.
Sem desculpa.
Sem piedade.
Porque campeões não entram em uma luta para sobreviver.
Campeões entram para impor ordem.
E a minha ordem é cruel.
Eu observo.
Eu espero.
Eu corto.
Eu finalizo.
Así funciona El Desperado.
Ele se aproxima ainda mais. A máscara ocupa quase todo o quadro.
No ¡A Luchar!, vocês três vão entender que estar no mesmo ringue que um campeão não é oportunidade.
É sentença.
Sin Esperanza, você vai lembrar da última queda.
Havoc, você vai descobrir que o caos pode ser domesticado.
Zumbi, você vai aprender que nem todo morto-vivo volta depois do último golpe.
E quando a campainha tocar, quando Monterrey gritar, quando o Showcenter Complex olhar para o centro do ringue…
eles não verão quatro iguais.
Verão três homens tentando alcançar um campeão.
E um campeão decidindo quem cai primeiro.
Desperado vira de costas, caminhando em direção à escuridão do corredor. Antes de desaparecer, ele para.
Eu sou El Desperado.
Campeón de Parejas.
Ingobernable.
E no cuadrangular…
não haverá milagre.
Não haverá esperança.
Não haverá caos que me engula.
Não haverá morto que se levante para sempre.
Haverá apenas o fim.
Ele vira o rosto levemente, deixando apenas um olho visível pela máscara.
Nos vemos en Monterrey.
E quando vocês me virem de frente…
ya será demasiado tarde.
(Postando pro El Desperado)
(A imagem começa cortada por estática, com um zumbido grave e distorcido ecoando no fundo. O cenário é um corredor de concreto sujo, iluminado apenas por uma lâmpada fluorescente que pisca incansavelmente. Encostado na parede de tijolos crus, Penta El Zero Miedo está de cabeça baixa. Em seu ombro, reluz o cinturão do Campeonato de Parejas. Ele levanta o rosto lentamente. Os olhos por trás da máscara de caveira transmitem uma loucura fria e calculista. Ele dá um trago profundo em seu charuto, solta a fumaça espessa em direção à lente da câmera e, com a mão livre, faz o gesto inconfundível do "Zero".)
¡Escúchenme bien, perros de la Mucha Lucha!
Deixem-me falar sobre o cheiro da humilhação. É um cheiro muito específico. Ele fede a suor frio, a lágrimas não derramadas e ao puro e cru desespero. É exatamente esse cheiro que empesteia os corredores desta empresa desde a semana passada. A "Trindade Sem Rosto" percebeu que não pode nos vencer. Eles perceberam que os deuses deles os abandonaram. Sin Piedad, você subiu naquele ringue e fez o que todo covarde faz quando se vê encurralado: você apostou a sua própria vida para tentar comprar mais um dia de sobrevivência para os seus hermanos. Lucha de Apuesta. Máscara contra Máscara. Você colocou o seu pedaço de pano em jogo contra o nosso hermano La Sombra com a condição de que, se por algum milagre você vencer, Sin Alma e Sin Esperanza ganham uma nova chance pelo meu Campeonato de Parejas.
¡Qué pendejo! ¡Qué grandísimo pendejo eres, Sin Piedad!
Você realmente acha que La Sombra vai ter piedade de você? Você acha que a sua história triste e a sua devoção a esse legado morto vão proteger o seu rosto quando ele arrancar essa sua máscara e expor a sua vergonha para o México inteiro? Vocês falam de tradição como se fosse uma armadura. "A máscara é a alma", vocês dizem. Para Los Ingobernables, a sua máscara é apenas o alvo onde nós vamos mirar as nossas botas! A sua promessa heroica já nasceu morta. La Sombra vai destruir a sua identidade, e os seus amiguinhos nunca mais vão encostar um dedo no meu ouro!
Mas vamos falar sobre o presente. Vamos falar sobre a carnificina que está agendada para hoje. Uma Lucha Cuadrangular. Quatro homens no ringue. Nenhuma desculpa. Nenhum lugar para se esconder.
Sin Alma... mi pobre e infeliz amigo. Nós nos encontramos de novo. Você não cansa de ser humilhado? No primeiro show, eu deixei as marcas da minha cadeira de aço cravadas na sua coluna. No segundo show, eu e El Desperado quebramos você e o seu parceiro no meio do ringue e tomamos o ouro. E no terceiro show, nós pisoteamos a sua Trindade na Lucha de Trios. O que faz você pensar que hoje será diferente? Eles te chamam de "Sem Alma". Eu acho um nome perfeito, porque depois que eu terminar com você esta noite, a única coisa que vai sobrar do seu corpo é uma carcaça vazia implorando por uma ambulância! Você acha que está lutando pela honra da sua facção? ¡Me vale madre! Quando eu estiver dobrando o seu braço para trás, quando a cartilagem do seu cotovelo começar a estalar, você não vai pensar em legado. Você vai pensar apenas na dor. Você vai gritar, e eu vou sorrir.
Mas o card de hoje tem mais palhaços querendo dividir o picadeiro. El Capitán. O herói rejeitado. A mascote descartada. Você achou que ia ser a estrela desta empresa, não é? Mas o seu amado chefe, o "El Presidente" Mr. Lucha, olhou para você, viu um lixo que não dava lucro e te substituiu antes mesmo de você suar a camisa. Agora você volta, rastejando, tentando provar que merece estar na Mucha Lucha. Tentando provar para os engravatados que você ainda tem valor. ¡Qué patético! Capitán, você deveria ter ficado em casa. Você deveria ter aceitado a sua demissão. Porque o que o Sr. Lucha fez com a sua carreira não é nada comparado ao que eu vou fazer com a sua anatomia! Eu não vou te demitir. Eu vou te aposentar. Eu vou quebrar cada osso das suas mãos para garantir que você nunca mais consiga amarrar as botas de lucha libre de novo!
Continua...
E então... temos o quarto elemento. O fator surpresa. O mistério que a gerência adora esfregar na cara dos fãs para vender ingressos. Um oponente misterioso. ¡Escúchame, cabrón sin nombre! Não me importa se você é uma lenda que o Sr. Lucha desenterrou do passado. Não me importa se você é o garoto de ouro que veio do exterior. Não me importa se você tem dois metros de altura ou se voa pelas cordas como um pássaro. Quando você cruzar a cortina e pisar naquele ringue, o mistério acaba e a tragédia começa! Você não foi colocado em uma luta de wrestling. Você foi colocado em um abatedouro. Você vai ser apenas mais um corpo na pilha de sacrifícios que eu construo para mostrar ao mundo quem realmente manda nesta porra de empresa!
Os fãs e a gerência desta empresa acreditam que a Lucha Libre é um esporte de regras, de respeito e de justiça. Nós já dissemos isso antes, mas parece que eu preciso desenhar com sangue para que vocês entendam: a justiça morreu no momento em que Los Ingobernables decidiram se juntar. Nós vimos a sujeira que vocês tentam esconder debaixo do tapete. Nós fomos traídos, fomos ignorados, fomos jogados em países de terceiro mundo e ginásios caindo aos pedaços. A dor não é um risco da profissão para mim. A dor é a minha língua materna. Eu falo através do estalar de ligamentos rompidos. Eu me comunico através do som de um Package Piledriver quebrando o pescoço de um imbecil contra a lona!
Hoje, nesta Lucha Cuadrangular, não há aliados. Não há amigos. Há apenas Penta El Zero Miedo e três sacos de carne esperando a sua vez de serem mutilados. Vocês não estão lutando pela vitória. Vocês estão lutando para ver quem vai sair do ringue andando e quem vai sair de maca.
Olhem para os meus olhos através desta máscara de caveira. Olhem para o ouro no meu ombro. E entendam, de uma vez por todas, que o inferno não fica debaixo da terra. O inferno está aqui, agora, esperando o sino tocar. E para qualquer um que tentar cruzar o meu caminho...
(Penta avança violentamente em direção à câmera, agarrando a lente com as duas mãos e gritando com todo o ar dos seus pulmões)
¡HAY CERO MIEDO!
Uno De Los Ingobernables e Uno De Los Campeones de Parejas, Penta.
A câmera encontra Catrina em meio à penumbra. Seus olhos permanecem fixos na lente enquanto um sorriso discreto surge em seus lábios. Sua voz é calma, quase maternal, mas carregada de uma crueldade inevitável...
Catrina: É curioso como os homens confundem resistência com esperança. Vocês, por exemplo, viram o que aconteceu com Samuray Del Sol. Viram seu corpo ser esmagado. Viram seus ossos serem forçados além dos próprios limites. Viram a morte colocar suas mãos ao redor de seu pescoço, mais uma vez. E, ainda assim, ele insistiu em permanecer de pé. Existe uma razão pela qual a humanidade teme a escuridão. Não é porque ela esconde monstros. Não é porque ela esconde sofrimento. A humanidade teme a escuridão porque ela esconde a verdade. E toda vez que um homem decide avançar para dentro dela, acreditando que encontrará respostas, ele descobre apenas aquilo que sempre esteve esperando por ele no fim do caminho... O vazio. Samuray Del Sol escolheu caminhar por esse caminho. Escolheu desbravar a escuridão para descobrir o que existia dentro dela. E quando finalmente alcançou o seu destino, encontrou Mil Muertes. Por mais insistente que ele era,tudo o que o mesmo conseguiu encontrar, foi a morte em pessoa. Então lhes pergunto, porque dessa vez seria diferente? Tendo em consideração que o sol deste valente samurai já se apagou. Sendo assim, tente o que quiser meu garoto, levante quantas vezes por necessário, insista o tanto que sua mente seja capaz de suportar, seu destino sempre será o mesmo. Essa é a sua verdade, é a sua realidade.
A personificação da morte surge. Seu olhar é frio. Sua respiração pesada. Sua presença parece consumir toda a luz ao redor. E então ele toma a palavra para si.
Mil Muertes: Chega! Guarde suas palavras para quem está vivo, aos mortos, damos apenas flores. Vamos focar em quem ainda tem sua alma, ao menos por enquanto. Hijo Del Santo...
Existe algo particularmente decepcionante sobre homens como você. Não os homens sem talento. Não os homens sem oportunidades. Não os homens condenados ao fracasso desde o início. Homens assim são fáceis de compreender. O que me fascina são homens que receberam tudo aquilo que outros passariam a vida inteira implorando para possuir e, ainda assim, escolhem desperdiçar cada pedaço desse presente. Porque esse é o seu caso. Você não é um incompetente. Não é um homem incapaz. Não é alguém que chegou até aqui por acidente. Pelo contrário. Você possui habilidades que poucos nesta indústria podem afirmar possuir. Você carrega um nome respeitado. Possui técnica refinada. Possui inteligência dentro do ringue. Possui presença. Possui potencial para se tornar aquilo que muitos jamais conseguirão ser. E justamente por isso você é tão decepcionante.
Quando observei sua luta contra Suicídio, eu não vi um homem sendo derrotado por outro. O que eu vi foi algo muito mais patético. Eu vi um homem sendo derrotado por si mesmo. Porque derrotas acontecem. Grandes campeões perdem. Lendas caem. Impérios desmoronam. Mas existe uma diferença entre ser derrotado após entregar tudo aquilo que possui e ser derrotado porque nunca teve a intenção de oferecer o seu máximo. E foi exatamente isso que aconteceu. Eu vi um homem entrar em combate carregando talento suficiente para liderar uma geração inteira de lutadores e, ainda assim, agir como alguém satisfeito, acomodado em apenas existir. Vi alguém capaz de inspirar uma indústria inteira agir como um homem acomodado dentro da própria mediocridade.
Você possui todas as ferramentas necessárias para se tornar um líder. Um daqueles homens cuja simples presença altera o curso de uma empresa. Um daqueles homens cuja existência obriga outros a elevarem seus próprios padrões. Mas liderança exige responsabilidade. Grandeza exige sacrifício. E propósito exige compromisso. Você não possui nenhum dos três. Porque enquanto outros homens trabalham desesperadamente para justificar a oportunidade que receberam, você vive como alguém convencido de que seu talento é tão extraordinário que o mundo lhe deve sucesso automaticamente.
Mil Muertes: E isso faz de você um homem vazio. Não vazio de habilidade. Não vazio de potencial. Vazio de propósito. E não existe criatura mais perigosa para si mesma do que um homem talentoso que não sabe por que luta. Um homem sem propósito inevitavelmente transforma seus dons em desperdício. Sua inteligência em arrogância. Seu potencial em fracasso. Sua carreira em uma coleção de oportunidades perdidas. Em outras palavras, você não vive por você, você não vive por algo, você apenas vive.
Por isso sua derrota para Suicídio importa tanto. Não porque ela foi sua primeira derrota. Não porque ela manchou seu histórico. Ela importa porque expôs aquilo que você passou anos tentando esconder. Expôs que existe um abismo dentro de você. Expôs que por trás do legado, do talento e do nome existe um homem sem direção. Um homem sem disciplina. Um homem que não valoriza os próprios dons. Um homem que não valoriza a própria vida.
Nesta semana, Hijo Del Santo, quando você entrar naquele ringue, não estará entrando para disputar uma luta. Estará entrando para enfrentar um julgamento. Pela primeira vez em muito tempo, alguém irá exigir que você prove o valor daquilo que passou a vida inteira desperdiçando. Eu serei o juiz que observará cada escolha que você fizer. Serei o júri que pesará cada ação, cada hesitação e cada demonstração de fraqueza. E, se necessário, serei também o carrasco encarregado de executar a sentença. Porque esta não é uma prova de habilidade. Seu talento já foi estabelecido há muito tempo. Esta não é uma prova de potencial. Todos sabem o homem que você poderia ser. Esta é uma prova de propósito. Uma prova de convicção. Uma prova para descobrir se existe algo dentro de você que considere sua própria vida valiosa o suficiente para lutar por ela. Pela primeira vez, você será obrigado a responder uma pergunta da qual fugiu durante toda a sua carreira: o quanto sua alma realmente significa para você? Porque ela estará em jogo. Tudo estará em jogo. E se você falhar, se mais uma vez permitir que sua apatia, sua complacência e seu vazio definam quem você é, então o nome Hijo Del Santo deixará de representar um homem. Deixará de representar um legado. Deixará de representar um futuro. Será apenas uma casca vazia ecoando a memória de algo que poderia ter sido grandioso. Porque aquilo que verdadeiramente dá valor a um homem não é seu nome, nem sua linhagem, nem seu talento. É sua alma. E caso você fracasse diante de mim, ela deixará de lhe pertencer. Ela será tomada. Reivindicada. Condenada. E então, enquanto seu nome continuar existindo entre os vivos, sua alma caminhará eternamente ao lado de Mil Muertes.
Your Death
Mil Muertes
‘’É engraçado. Todo mundo fala sobre a lucha libre como se ela pertencesse ao povo. Como se ela pertencesse aos fãs. Como se ela pertencesse aos velhos nomes pendurados nas paredes da Arena México. Mas eu olho ao meu redor e vejo uma realidade diferente. Eu vejo uma luta livre que pertence a quem tem coragem de tomá-la.’’
‘’E ninguém tem mais coragem do que Los Ingobernables.’’
‘’Ser Ingobernable não é um grupo. Não é uma facção. É um estado de espírito. Significa que eu não me curvo pra ninguém. Não beijo a mão de veterano, não respeito tradição, não sigo roteiro, não obedeço autoridade. Ser Ingobernable é acordar todo dia e cuspir na cara da “lucha libre sagrada”. É olhar pra Mucha Lucha inteira e dizer: Vocês não mandam em mim e nos meus colegas. É tirar a máscara dos outros enquanto protejo a minha. É humilhar quem passou a vida inteira seguindo regras. Ser Ingobernable é acordar todo dia sabendo que o mundo inteiro quer te colocar de joelhos... e você responde metendo o pé no pescoço deles. Não seguimos roteiro. Não beijamos mão de ninguém. Não choramos por tradição. Tradition is a chain, cabrón... e nós nascemos com um maçarico na mão pra derreter essa merda.‘’
‘’As pessoas querem seus heróis. Querem seus ídolos. Querem alguém para apontar o dedo e dizer 'esse é o exemplo'. Mas toda vez que eles olham para nós, eles enxergam exatamente aquilo que não conseguem suportar: a verdade.’’
‘’A verdade de que talento vale mais que tradição.’’
‘’A verdade de que sucesso vale mais que respeito.’’
‘’A verdade de que o vencedor escreve a história e o derrotado inventa desculpas.’’
‘’Por isso eles nos odeiam.’’
‘’Porque nós não pedimos licença.’’
‘’Porque nós não seguimos protocolos.’’
‘’Porque nós não nos curvamos diante de ninguém.’’
‘’Enquanto os outros passam a carreira inteira tentando conquistar a aprovação do público, eu faço algo muito mais simples. Eu conquisto o controle. Porque aplausos não valem nada. Popularidade não vale nada. O que vale é poder. E Los Ingobernables têm todo o poder. Os técnicos dizem que somos um problema. Os veteranos dizem que somos uma vergonha. Os promotores dizem que somos um pesadelo.’’
‘’Perfeito.’’
‘’Porque ninguém chama uma tempestade de boa notícia. Ninguém chama um terremoto de tradição. E ninguém olha para uma revolução e a descreve como algo confortável. Nós somos exatamente aquilo que a lucha libre tenta esconder debaixo do tapete: arrogantes, violentos, egoístas… e melhores do que todos os outros. E essa é a parte que mais dói. Se fôssemos fracassados, seria fácil nos ignorar. Se fôssemos medíocres, seria fácil nos criticar. Mas toda vez que o sino toca, toda vez que as luzes se acendem e o nome principal aparece no cartaz, a conversa sempre termina no mesmo lugar: La Sombra. Los Ingobernables. Não importa quantas máscaras existam nesta empresa, quantas lendas caminhem por estes corredores ou quantos homens digam que representam a verdadeira lucha libre. No final, todos eles vivem no mesmo mundo que eu, só que eu estou acima dele. Eles lutam para preservar um sistema. Eu sou o homem que controla esse sistema. Eles tentam proteger a lucha libre. Eu sou a razão pela qual ela muda. Enquanto eles choram, reclamam e se agarram ao passado, Los Ingobernables continuam fazendo exatamente o que sempre fizeram: o que querem, quando querem e com quem querem. Porque nós não somos o futuro da Mucha Lucha. Nós somos o presente. E o presente pertence a La Sombra.’’
La Sombra.
Hoje teremos um show de matar....
Mortis
Rapaz... eu falei que ia chegar no México fazendo barulho e os caras acharam que era brincadeira. Primeira noite, primeira luta, primeira Gauntlet Match... e quem saiu com a mão levantada? Eu. O brasileiro, o homem que nem entendia as regras daquela bagunça e mesmo assim venceu. Agora os gênios da Mucha Lucha resolveram me colocar contra El Desperado, Sin Esperanza e Havoc.
Olha os nomes dos caras, meu parceiro. Parece que eu tô entrando numa novela mexicana escrita depois de uma garrafa inteira de tequila. El Desperado... é sério mesmo? Desesperado? O cara já entra no combate admitindo que tá sem rumo. Irmão, eu saí do Brasil, atravessei continente e conquistei espaço na marra. Você mal consegue escolher um nome que passe confiança. Aí é foda!!!
E Sin Esperanza? Sem esperança? Meu amigo, eu respeito a honestidade. Pelo menos você já avisou a torcida qual vai ser o seu destino quando a luta acabar. Sem esperança de vencer, sem esperança de sobreviver, sem esperança de olhar pro teto sem lembrar da surra que o Zumbi deu.
E aí temos o Havoc. Havoc continua tentando me convencer que é perigoso, mas eu já enfrentei esse cidadão antes. Quanto mais ele fala que é o caos, mais eu tenho certeza que ele é só uma confusão ambulante. Havoc é igual Wi-Fi de rodoviária, promete muito, funciona pouco e decepciona todo mundo.
“Mas o melhor de tudo é que os três têm uma coisa em comum. Nenhum deles é eu, nenhum deles tem o jeitinho brasileiro, nenhum deles tem a malandragem no corpo, no remelecho. Nenhum deles tem a capacidade de transformar qualquer situação numa vantagem. Enquanto eles ficam preocupados com honra, legado, máscaras, reputação e essas besteiras todas... eu só me preocupo com uma coisa.
Ganhar.
Porque no final das contas ninguém lembra de quem lutou bonito, ninguém lembra de quem tentou, ninguém lembra de quem quase venceu. As pessoas lembram de quem ganhou. O México inteiro vai ter que admitir, o vencedor não foi El Desperado, não foi Sin Esperanza, não foi Havoc. Foi o maior exportador de problemas que o Brasil já produziu.
Foi El Grande Brasileiro. Foi... ZUMBI!
Fim do Prazo!
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